Dados assumem-se como novo motor de valor na economia moçambicana

Ainda no quadro da 7.ª edição das Conferências Índico, o segundo painel debruçou em torno dos “Dados como Motor de Valor: Inovação, Finanças e Inteligência Artificial”, onde os especialistas de diferentes áreas reflectiram sobre o papel da informação como activo estratégico para a economia.A primeira intervenção esteve a cargo de Huruda Malungane, fundadora e CEO do Fórum CFO Moçambique, que destacou a centralidade dos dados na gestão financeira moderna. “Nós, CFOs versão 4.0, pensamos em dois paradigmas, gestão de dados e sustentabilidade. Uma administração mais eficiente da informação garante a optimização de custos e maior sustentabilidade nos negócios”, afirmou. Para Malungane, Moçambique ainda se encontra numa fase embrionária de maturidade digital, com poucos sectores, como a banca, os seguros e as telecomunicações, a utilizarem os dados como ferramenta estruturante de decisão. “Ainda não temos instituições a monetizar dados como serviço, mas este é um passo inevitável”, concluiu.Seguiu-se Ricardo Taca, director operacional da MCNet, que centrou a sua intervenção no impacto da inteligência artificial e da transformação digital no futuro da indústria moçambicana. O gestor sublinhou que a tecnologia só faz sentido quando aproxima os serviços públicos e privados do cidadão. “Temos infra-estruturas, universidades e centros tecnológicos. O desafio já não é a disponibilidade da tecnologia, mas a sua aplicação prática, capaz de criar valor para os moçambicanos”, observou. Taca acrescentou que a indústria nacional deve posicionar-se de forma a transformar dados em inovação, à semelhança do que ocorre em outros mercados africanos.Por sua vez, Raimundo Zandamela, CEO do Grupo Máximo, analisou o papel dos dados no sector segurador, com enfoque na inclusão financeira das pequenas e médias empresas. Destacou que a análise inteligente de informação pode aumentar a penetração dos seguros no tecido empresarial, tradicionalmente marcado por baixas taxas de adesão. “A utilização estratégica de dados permite desenhar produtos adequados às PMEs e responder melhor às suas necessidades, reforçando a resiliência financeira das empresas”, defendeu.O debate terminou com uma nota comum entre os intervenientes, a necessidade de transformar dados em activo económico real, capaz de gerar valor comparável ao petróleo, mas com maior potencial de sustentabilidade.

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